Valor da Inovação Farmacêutica

Alinhando evidência, inovação e preço em saúde

Sobre o projeto

A crescente complexidade das tecnologias em saúde — especialmente no campo da inovação farmacêutica — tem intensificado o desafio de alinhar preço e valor nos sistemas de saúde. Este projeto nasce da necessidade de compreender, de forma estruturada e transparente, o que constitui valor em inovação farmacêutica e como esse valor pode ser traduzido em decisões mais consistentes de precificação.

Diferentes atores — indústria, reguladores, pagadores, clínicos e pacientes — percebem o valor de maneiras distintas. No entanto, do ponto de vista das políticas públicas, o valor da inovação deve ser compreendido essencialmente sob uma perspectiva social, ou seja, sua capacidade de gerar ganhos reais em saúde, como aumento de sobrevida, melhora da qualidade de vida e atendimento a necessidades terapêuticas não atendidas.

Este repositório reúne os fundamentos conceituais, metodológicos e aplicados desenvolvidos no âmbito deste projeto, com foco na análise do valor da inovação farmacêutica e sua relação com a precificação baseada em valor.

O Índice de Inovatividade Farmacêutica (PII)

O Pharmaceutical Innovativeness Index (PII) é um instrumento metodológico desenvolvido para sistematizar e quantificar o grau de inovação de medicamentos, a partir de critérios alinhados aos princípios da avaliação de tecnologias em saúde (ATS).

O PII busca responder a uma questão central:

👉 quão inovadora é uma tecnologia do ponto de vista do seu valor para a sociedade?

Diferentemente de abordagens puramente qualitativas, o índice estrutura a avaliação da inovação em domínios explícitos, permitindo maior transparência, reprodutibilidade e comparabilidade entre tecnologias.

O resultado é um escore contínuo (0–100), que representa o grau de inovatividade da tecnologia avaliada.

Domínios do PII

O índice é composto por quatro domínios principais, que refletem dimensões fundamentais do valor em saúde:

Domínio 1: Necessidade terapêutica não atendida

Avalia o contexto clínico e a disponibilidade de alternativas terapêuticas eficazes.

Máximo Não existem opções terapêuticas disponíveis para a indicação específica. Ex: doença sem tratamento aprovado.
Importante Existem alternativas, mas com impacto limitado em desfechos clinicamente relevantes ou não específicas para subgrupos de pacientes.
Moderado Existem alternativas com algum impacto clínico, porém com eficácia limitada ou perfil de segurança desfavorável.
Pobre Existem alternativas eficazes e bem estabelecidas, com impacto relevante em desfechos clínicos.
Ausente Existem alternativas capazes de modificar a história natural da doença com bom perfil de segurança.

Domínio 2: Benefício terapêutico acrescentado

Avalia o ganho clínico incremental em relação ao comparador apropriado.

Máximo O medicamento demonstra capacidade de curar a doença ou modificar significativamente sua história natural (ex: grande redução de mortalidade).
Importante Melhora significativa em desfechos clínicos relevantes (ex: aumento substancial de sobrevida ou redução de risco de morte).
Moderado Ganho clínico relevante, porém de magnitude intermediária ou restrito a subgrupos.
Pobre Pequena melhora em desfechos clínicos ou benefícios indiretos (ex: qualidade de vida, conveniência).
Ausente Sem evidência de benefício adicional ou equivalência terapêutica.

Domínio 3: Delineamento do estudo

Avalia a adequação do desenho metodológico dos estudos clínicos.

Adequado Ensaios clínicos randomizados, comparativos, com desfechos clinicamente relevantes e comparador apropriado.
Parcialmente adequado Estudos comparativos com limitações (ex: comparador subótimo ou desfechos intermediários).
Inadequado Estudos não comparativos, braço único ou ausência de grupo controle.

Domínio 4: Qualidade metodológica / risco de viés

Avalia a robustez e confiabilidade das evidências.

Baixo risco de viés Estudos com boa qualidade metodológica (ex: baixo risco segundo RoB 2.0).
Algumas preocupações Limitações metodológicas moderadas.
Alto risco de viés Evidência com limitações importantes ou alto risco de viés.

Racional de desenvolvimento

O desenvolvimento do PII foi motivado pela necessidade de superar limitações observadas em modelos tradicionais de avaliação de inovação, que frequentemente:

  • utilizam critérios implícitos ou pouco transparentes
  • apresentam baixa comparabilidade entre decisões
  • não integram adequadamente evidência clínica e contexto terapêutico

A proposta do índice se baseia na convergência observada em experiências internacionais (como AIFA, HAS e IQWiG), nas quais o benefício clínico incremental e a necessidade terapêutica emergem como os principais determinantes do valor da inovação.

Ao estruturar esses elementos em um modelo quantitativo, o PII permite transformar julgamentos qualitativos em uma métrica operacional, mantendo alinhamento com os princípios da ATS.

Aplicação do PII

O índice pode ser utilizado em diferentes contextos, incluindo:

  • análise comparativa de tecnologias
  • suporte à tomada de decisão regulatória
  • priorização em processos de incorporação
  • avaliação de inovação incremental vs radical
  • apoio à discussão de precificação baseada em valor

Seu uso é particularmente relevante em cenários com alta incerteza, como terapias avançadas ou doenças raras.

PII e Fronteira de Eficiência

Uma abordagem exploratória para precificação baseada em valor

Uma das aplicações mais promissoras do PII é sua integração com a fronteira de eficiência, como estratégia para operacionalizar a precificação baseada em valor.

Nesse modelo:

  • o PII é utilizado como proxy de benefício clínico (eixo X)
  • o preço das tecnologias é representado no eixo Y

A partir de tecnologias já disponíveis, é possível construir uma fronteira de eficiência, que representa o padrão de relação entre custo e valor observado no sistema.

Novas tecnologias podem então ser posicionadas nessa estrutura, permitindo:

  • estimar faixas de preço plausíveis
  • identificar tecnologias potencialmente super ou subvalorizadas
  • estruturar negociações de preço com base em evidência

Essa abordagem não pretende substituir modelos existentes, mas sim oferecer uma ferramenta adicional para tornar o processo de precificação mais transparente e consistente.

Oficina prática: métodos de precificação

Como parte deste projeto, foi desenvolvida uma oficina aplicada com especialistas, com o objetivo de explorar, na prática, diferentes abordagens de precificação baseadas em valor.

A oficina inclui:

  • estudos de caso estruturados (DIPs fictícios)
  • aplicação do PII
  • construção de fronteiras de eficiência
  • discussão de cenários regulatórios
  • análise crítica de decisões de preço
👉 Acesse o material completo da oficina: Material da Oficina

Instituição e origem do projeto

Este projeto foi desenvolvido no âmbito do CCATES, centro de referência nacional vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com atuação voltada à avaliação de tecnologias em saúde, apoio à tomada de decisão e fortalecimento de políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa do Pharmaceutical Innovativeness Index (PII) tem origem no projeto de doutorado, e outros estudos, conduzidos no Programa de Pós-Graduação em Medicamentos e Assistência Farmacêutica, da Faculdade de Farmácia da UFMG, que teve como objetivo central investigar metodologias para avaliação do valor da inovação farmacêutica.

O desenvolvimento do Pharmaceutical Innovativeness Index (PII) e suas aplicações exploratórias, incluindo a integração com a fronteira de eficiência, fazem parte desse esforço de pesquisa, que busca contribuir para o avanço metodológico na interface entre avaliação de tecnologias em saúde e regulação econômica de medicamentos.

👉 Acesse a tese completa (inovatividade): Tese Ludmila (PDF)
👉 Acesse a tese completa (fronteira de eficiência): Tese Marcus (PDF)

Simulador do PII

Acesse abaixo a Calculadora PII e a Fronteira de Eficiência para aplicar o índice na prática.

Calculadora PII

Pontuação de Inovação e Impacto para Terapias

Referência de Pesos

Pesos Atuais Aplicados:

  • 1) Nec. Não Atendida: 50
  • 2) Benefício Acrescentado: 30
  • 3) Delineamento do Estudo: 10
  • 4) Qualidade Metod.: 10

Avaliação dos Domínios

1) Necessidade Terapêutica Não Atendida

0.0

2) Benefício Terapêutico Acrescentado

0.0

3) Delineamento do Estudo

0.0

4) Qualidade Metodológica

0.0

Score Final PII

0.0

A pontuação final é a soma do desempenho em cada um dos 4 domínios calculados usando os pesos definidos.

Comparação de Terapias

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Fronteira de Inovatividade (CCATES 2026)

Análise de Custo-Efetividade

Tecnologias Eficientes (Fronteira)

Tecnologia Desfecho (PII) Custo (R$) R$/PII

Tecnologias em Avaliação

Tecnologia Desfecho (PII) Custo (R$) Custo na Fronteira (R$) Status